Talvez por causa do principal
defeito que se atribui há redes, que é o facto de qualquer pessoa poder
transmitir qualquer dado independentemente da sua fiabilidade, veracidade ou
possibilidade de comprovação, até a própria origem da Internet está rodeado de
lendas. A principal teoria diz que a Internet nasceu nos anos 60, produto de um
projecto militar dos Estados Unidos para criar uma rede de computadores capaz
de unir os centros de investigação dedicados à defesa militar, e que pudesse
continuar a funcionar mesmo que um dos seus nós fôssemos destruídos por um
hipotético ataque nuclear. Os criadores da ARPANET, a rede precursora da
Internet, não tinham pensado em nada semelhante ao que é a Internet hoje em
dia, e andam há anos a tentar corrigir esta percepção. A Internet surgiu na
realidade da necessidade cada vez mais premente de colocar à disposição dos
trabalhadores do Gabinete para as tecnologias do Processamento de Informação
(IPTO) mais recursos informáticos.
Robert Taylor, o seu director em
1966, pensou que talvez a melhor forma fosse ligando os computadores entre si:
ao construir uma série de ligações electrónicas entre diferentes máquinas, os
investigadores que estivessem a fazer um trabalho semelhante em diferentes
lugares do país poderiam partilhar recursos e resultados muito mais fáceis e
rapidamente; e em vez de gastarem dinheiro em meia dúzia de computadores caros
distribuídos por todo o país, a ARPA (Agência para Projectos de Investigação
Avançados) poderia concentrar os seus recursos em apenas 2 lugares, onde
instalaria computadores muito potentes aos quais toda a gente poderia aceder
através destas ligações.
Este sistema espalhou-se pelo
mundo inteiro graças a Licklider, Kleinrock e Roberts, os verdadeiros artífices
dessa ferramenta que hoje em dia permite a qualquer terráqueo comum computador
estar conectado à rede informática.
Graças a eles podemos enviar e
receber ficheiros de qualquer tipo e consultar a World Wide Web e os seus
textos, vídeos, ilustrações, sons, etc.
O TEMPO E O ESPAÇO MUDANÇA DE
CONCEITOS.
A possibilidade de comunicação em
tempo real, ou seja, imediatamente, emitir e receber qualquer tipo de
informações, a ou de alguém que está sentado em frente a um computador na outra
ponta do planeta fez com que os conceitos de tempo e espaço ficassem
completamente abalados. As distâncias já não se medem através dos quilómetros
ou do relógio. Isto mesmo fica demonstrado cada vez que compramos produtos a
uma empresa que está fisicamente localizada a milhares de quilómetros, e os
quais pagamos imediatamente através de cartões de crédito; esses produtos são
depois enviados por correio registado para a nossa morada pelo que é muitas
vezes mais simples e cómodo comprar através da Internet do que irmos às compras
na própria cidade e voltarmos carregados de sacos pesados. A nova realidade que
surgiu com a Internet baseia-se mais na experiência vivida do que na percepção
quotidiana porque sentimos, vivemos e percepcionamos independentemente de que
nos aconteçam coisas na realidade objectiva ou na nossa imaginação. Por
exemplo, podemos estar num quarto, sozinhos com o computador, através do qual
recebemos um email que alguém enviou do Brasil uns dias antes, no qual nos
conta alguma coisa que nos excita sexualmente. O facto de a outra pessoa não
estar fisicamente presente nesse quarto e de nem sequer estar ligada à Internet
nesse momento não significa que não estejamos a sentir excitação e sensações
reais, e bastantes parecidas com as que se sentiria se o emissor e o receptor
estivessem em presença um do outro. Por um lado, os internautas transformam a sua
percepção espacial quando fazem uma visita virtual a uma sala de strip-tease de Minesota, por exemplo. E,
por outro lado, o passado, o presente e o futuro são repensados quando alguém
faz download de um conto erótico publicado na rede há dois anos, com o qual se
masturba enquanto lê, e o qual será reconvertido em fantasia erótica com um
companheiro passado um mês. Noutras palavras, o que se vive na rede faz com que
o ciberespaço coexista com a realidade quotidiana, porque a influência.
DO ESPAÇO AO HIPERESPAÇO.
As primeiras mudanças que
acontecem quando introduzimos novas tecnologias nas nossas vidas dão-se a nível
do espaço que nos rodeia: temos de criar um novo espaço na casa para colocar o
computador com os imprescindíveis cabos, telefone, modem para comunicar com o
servidor, etc. Até o urbanismo é afectado quando se têm de levantar os passeios
para forrar a cidade com fibra óptica ou cabos, e também as ruas se vão
enchendo de cibercafés ou web cafés onde tudo está preparado para aceder ao
ciberespaço. Este é concebido como um espaço exterior à realidade ou como uma
espécie de centro comercial no qual se podem adquirir conhecimentos e qualquer
tipo de produto tangível, assim como de experiências e as mais variadas trocas
com pessoas de carne e osso. Não devemos esquecer que embora o ciberespaço
tenha sido construído através da tecnologia, quem gera a informação e o
preenche com conteúdos e intensidade são os internautas. Enquanto os meios de
comunicação tradicionais reproduzem outros espaços (por exemplo, a notícia da
inauguração de um festival erótico), a Internet funciona como um espaço social
em si, no qual os usuários podem ver as imagens enviar e receber ficheiros,
mensagens, vídeos amadores, etc., convertendo-se não só em espectadores, mas
também em autores, actores e guionistas das suas próprias obras. Embora muitas
pessoas não acreditam, o espaço cibernético tem referências à vida real, os
usuários continuam a ser humanos e continuam a ouvir a água a ferver na
cozinha; trata-se apenas de um mundo paralelo que se nutre da realidade e a retroalimenta.
Pode-se dizer que na realidade real e na realidade virtual convivem diferentes
percepções e interpretações mais além do que os sentidos captam porque não
podemos contornar na nossa vida do dia-a-dia as coisas que captamos e
aprendemos ni mundo virtual. Estas coisas não são nem melhores nem piores do
que aquilo que aprendemos na vida quotidiana, sendo apenas outra forma de
experimentar, outra ferramenta.
SEXUALIDADE E TECNOLOGIA
Ao longo da história, a tecnologia
e a sexualidade sempre estiveram vinculadas. Quando surge um novo invento, e a
sociedade vai descobrindo a sua utilidade, e por curiosidade inata, costuma
procurar o prazer sexual. Hoje em dia a sexualidade está a tornar-se cada vez
mais tenho-cultural, mediada e comunicativa, talvez à custa, em alguns casos,
da sua função principal, que é cobrir as apetências e necessidades físicas,
emocionais e afectivas. O cibersexo poderia englobar todas as actividades que
relacionam os computadores com o sexo, ou seja, não apenas os actos sexuais
onde existe um computador entre os actores, mas também a aquisição de materiais
pornográficos em qualquer formato através da rede. Claro que também existem
muitas páginas web de consultórios médicos, sexológicos, terapêuticos e
académicos que proporcionam imensa informação e apoio aos usuários e resolvem
as suas dúvidas de cariz sexual, mas sem pretensões eróticas ocultas.
É interessante saber como os
cidadãos vão incorporando os aparelhos tecnológicos na sua faceta sexual íntima,
dentro da esfera pública e privada.
UM UNIVERSO COMERCIAL COMPLICADO.
O mercado vai lançando elementos
tecnológicos sexuais de última geração que tentam emular o intercâmbio sexual
com uma pessoa, prescindindo da presença física da mesma. Claro que isso tem um
preço. A maioria dos serviços oferecidos nas webs especializadas em sexo
exploram as suas possibilidades comerciais estabelecendo tarifas de acesso para
os subscritores ou mesmo para quem apenas utilize os serviços esporadicamente.
Se considerarmos a quantidade de
dinheiro que o negócio do sexo movimenta através de outros canais mais
convencionais, a Internet aproveita as suas características para obter ainda
mais lucros. Mas uma coisa é pagar pelos conteúdos sexuais que a pessoa
interessada procura por vontade própria nas webs, fóruns, chats entre outros, e
outra muito mais abusiva é a quantidade massiva de mensagens de correio
electrónico, de janelas emergentes com conteúdos pornográfico, os convites para
visitar páginas de pagamento pouco fiáveis, etc. que assaltam o usuário muitas
vezes indefeso.