quarta-feira, 19 de junho de 2013

Talvez por causa do principal defeito que se atribui há redes, que é o facto de qualquer pessoa poder transmitir qualquer dado independentemente da sua fiabilidade, veracidade ou possibilidade de comprovação, até a própria origem da Internet está rodeado de lendas. A principal teoria diz que a Internet nasceu nos anos 60, produto de um projecto militar dos Estados Unidos para criar uma rede de computadores capaz de unir os centros de investigação dedicados à defesa militar, e que pudesse continuar a funcionar mesmo que um dos seus nós fôssemos destruídos por um hipotético ataque nuclear. Os criadores da ARPANET, a rede precursora da Internet, não tinham pensado em nada semelhante ao que é a Internet hoje em dia, e andam há anos a tentar corrigir esta percepção. A Internet surgiu na realidade da necessidade cada vez mais premente de colocar à disposição dos trabalhadores do Gabinete para as tecnologias do Processamento de Informação (IPTO) mais recursos informáticos.
Robert Taylor, o seu director em 1966, pensou que talvez a melhor forma fosse ligando os computadores entre si: ao construir uma série de ligações electrónicas entre diferentes máquinas, os investigadores que estivessem a fazer um trabalho semelhante em diferentes lugares do país poderiam partilhar recursos e resultados muito mais fáceis e rapidamente; e em vez de gastarem dinheiro em meia dúzia de computadores caros distribuídos por todo o país, a ARPA (Agência para Projectos de Investigação Avançados) poderia concentrar os seus recursos em apenas 2 lugares, onde instalaria computadores muito potentes aos quais toda a gente poderia aceder através destas ligações.
Este sistema espalhou-se pelo mundo inteiro graças a Licklider, Kleinrock e Roberts, os verdadeiros artífices dessa ferramenta que hoje em dia permite a qualquer terráqueo comum computador estar conectado à rede informática.
Graças a eles podemos enviar e receber ficheiros de qualquer tipo e consultar a World Wide Web e os seus textos, vídeos, ilustrações, sons, etc.
O TEMPO E O ESPAÇO MUDANÇA DE CONCEITOS.
A possibilidade de comunicação em tempo real, ou seja, imediatamente, emitir e receber qualquer tipo de informações, a ou de alguém que está sentado em frente a um computador na outra ponta do planeta fez com que os conceitos de tempo e espaço ficassem completamente abalados. As distâncias já não se medem através dos quilómetros ou do relógio. Isto mesmo fica demonstrado cada vez que compramos produtos a uma empresa que está fisicamente localizada a milhares de quilómetros, e os quais pagamos imediatamente através de cartões de crédito; esses produtos são depois enviados por correio registado para a nossa morada pelo que é muitas vezes mais simples e cómodo comprar através da Internet do que irmos às compras na própria cidade e voltarmos carregados de sacos pesados. A nova realidade que surgiu com a Internet baseia-se mais na experiência vivida do que na percepção quotidiana porque sentimos, vivemos e percepcionamos independentemente de que nos aconteçam coisas na realidade objectiva ou na nossa imaginação. Por exemplo, podemos estar num quarto, sozinhos com o computador, através do qual recebemos um email que alguém enviou do Brasil uns dias antes, no qual nos conta alguma coisa que nos excita sexualmente. O facto de a outra pessoa não estar fisicamente presente nesse quarto e de nem sequer estar ligada à Internet nesse momento não significa que não estejamos a sentir excitação e sensações reais, e bastantes parecidas com as que se sentiria se o emissor e o receptor estivessem em presença um do outro. Por um lado, os internautas transformam a sua percepção espacial quando fazem uma visita virtual a uma sala de strip-tease de Minesota, por exemplo. E, por outro lado, o passado, o presente e o futuro são repensados quando alguém faz download de um conto erótico publicado na rede há dois anos, com o qual se masturba enquanto lê, e o qual será reconvertido em fantasia erótica com um companheiro passado um mês. Noutras palavras, o que se vive na rede faz com que o ciberespaço coexista com a realidade quotidiana, porque a influência.
DO ESPAÇO AO HIPERESPAÇO.
As primeiras mudanças que acontecem quando introduzimos novas tecnologias nas nossas vidas dão-se a nível do espaço que nos rodeia: temos de criar um novo espaço na casa para colocar o computador com os imprescindíveis cabos, telefone, modem para comunicar com o servidor, etc. Até o urbanismo é afectado quando se têm de levantar os passeios para forrar a cidade com fibra óptica ou cabos, e também as ruas se vão enchendo de cibercafés ou web cafés onde tudo está preparado para aceder ao ciberespaço. Este é concebido como um espaço exterior à realidade ou como uma espécie de centro comercial no qual se podem adquirir conhecimentos e qualquer tipo de produto tangível, assim como de experiências e as mais variadas trocas com pessoas de carne e osso. Não devemos esquecer que embora o ciberespaço tenha sido construído através da tecnologia, quem gera a informação e o preenche com conteúdos e intensidade são os internautas. Enquanto os meios de comunicação tradicionais reproduzem outros espaços (por exemplo, a notícia da inauguração de um festival erótico), a Internet funciona como um espaço social em si, no qual os usuários podem ver as imagens enviar e receber ficheiros, mensagens, vídeos amadores, etc., convertendo-se não só em espectadores, mas também em autores, actores e guionistas das suas próprias obras. Embora muitas pessoas não acreditam, o espaço cibernético tem referências à vida real, os usuários continuam a ser humanos e continuam a ouvir a água a ferver na cozinha; trata-se apenas de um mundo paralelo que se nutre da realidade e a retroalimenta. Pode-se dizer que na realidade real e na realidade virtual convivem diferentes percepções e interpretações mais além do que os sentidos captam porque não podemos contornar na nossa vida do dia-a-dia as coisas que captamos e aprendemos ni mundo virtual. Estas coisas não são nem melhores nem piores do que aquilo que aprendemos na vida quotidiana, sendo apenas outra forma de experimentar, outra ferramenta.
SEXUALIDADE E TECNOLOGIA
Ao longo da história, a tecnologia e a sexualidade sempre estiveram vinculadas. Quando surge um novo invento, e a sociedade vai descobrindo a sua utilidade, e por curiosidade inata, costuma procurar o prazer sexual. Hoje em dia a sexualidade está a tornar-se cada vez mais tenho-cultural, mediada e comunicativa, talvez à custa, em alguns casos, da sua função principal, que é cobrir as apetências e necessidades físicas, emocionais e afectivas. O cibersexo poderia englobar todas as actividades que relacionam os computadores com o sexo, ou seja, não apenas os actos sexuais onde existe um computador entre os actores, mas também a aquisição de materiais pornográficos em qualquer formato através da rede. Claro que também existem muitas páginas web de consultórios médicos, sexológicos, terapêuticos e académicos que proporcionam imensa informação e apoio aos usuários e resolvem as suas dúvidas de cariz sexual, mas sem pretensões eróticas ocultas.
É interessante saber como os cidadãos vão incorporando os aparelhos tecnológicos na sua faceta sexual íntima, dentro da esfera pública e privada.
UM UNIVERSO COMERCIAL COMPLICADO.
O mercado vai lançando elementos tecnológicos sexuais de última geração que tentam emular o intercâmbio sexual com uma pessoa, prescindindo da presença física da mesma. Claro que isso tem um preço. A maioria dos serviços oferecidos nas webs especializadas em sexo exploram as suas possibilidades comerciais estabelecendo tarifas de acesso para os subscritores ou mesmo para quem apenas utilize os serviços esporadicamente.

Se considerarmos a quantidade de dinheiro que o negócio do sexo movimenta através de outros canais mais convencionais, a Internet aproveita as suas características para obter ainda mais lucros. Mas uma coisa é pagar pelos conteúdos sexuais que a pessoa interessada procura por vontade própria nas webs, fóruns, chats entre outros, e outra muito mais abusiva é a quantidade massiva de mensagens de correio electrónico, de janelas emergentes com conteúdos pornográfico, os convites para visitar páginas de pagamento pouco fiáveis, etc. que assaltam o usuário muitas vezes indefeso.